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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Plano de saúde usa SUS para não pagar medicamento caro

Planos de saúde têm empurrado seus segurados ao SUS para buscarem remédios ou procedimentos que deveriam ser cobertos por eles. A informação é da reportagem de Cláudia Collucci publicada na edição desta terça-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Cinco usuários de diferentes planos de saúde confirmaram a prática à Folha. O Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) também já registrou queixas sobre isso. O caso mais recente envolve a Porto Seguro Saúde e um empresário paulista da área têxtil, D.L., 52, que sofre de artrite reumatoide.

Há três anos, o plano cobre o tratamento com a droga Remicade (infliximabe), aplicada na veia. Ele fica uma noite internado para isso. Há um mês, porém, a Porto informou, por e-mail, que não cobriria mais o remédio e o orientou a buscá-lo no SUS --o frasco de 100 ml custa R$ 4.000. A cada dois meses, L. usa cinco frascos.

Segundo a advogada Daniela Trettel, do Idec, pela lei, toda medicação que exige internação para ser administrada deve ser fornecida pelo plano de saúde. A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) também confirma a informação.

OUTRO LADO

Por meio de nota, a Porto Seguro Saúde confirmou que encaminhou o segurado D.L. para buscar a medicação no SUS. Diz que a empresa "tem como política sempre oferecer soluções e alternativas viáveis" aos seus segurados.

"Há anos existe um programa regular estatal de fornecimento de medicamentos de alto custo à população. Quando um tratamento não tem cobertura pelo rol da ANS, orientamos sobre a existência deste serviço."

Questionada sobre o motivo que a levou a ressarcir a medicação por três anos, a Porto alega que uma nova resolução da ANS definiu a não cobertura a droga. Mas, na lista de procedimento excluídos pela ANS, não consta o Remicade.

Procurada novamente ontem à noite, a Porto Seguro não respondeu.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Anvisa aprova o primeiro medicamento biológico para retocolite ulcerativa

Remicade (infliximabe) é uma nova arma para pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou em outubro a indicação de Remicade (infliximabe) para o tratamento da retocolite ulcerativa, doença inflamatória intestinal (DII) que tem como principais sintomas cólicas, perda de peso e diarréias com sangramento. Remicade é o primeiro agente biológico aprovado para essa doença no Brasil. A droga também é a única que tem aprovação da Anvisa para Doença de Crohn, outro tipo de doença inflamatória intestinal.

"Remicade é uma poderosa alternativa para os casos graves da doença ou que não respondem aos tratamentos convencionais", afirma Flávio Steinwurz, gastroenterologista e presidente da ABCD (Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn).

Como a doença é crônica e não tem cura, o principal objetivo do tratamento é induzir a remissão, isto é, a ausência total de sintomas e mantê-la por um longo prazo. "Remicade é capaz de prolongar a remissão, ajudando na cicatrização da mucosa intestinal. Essa melhora, em alguns casos, pode evitar a necessidade de cirurgia para retirada de uma parte do intestino", diz Steinwurz. Além disso, Remicade possibilita a redução do uso de corticóides, um dos tratamentos mais comuns, que causam sérios efeitos colaterais quando utilizados por um longo período.

Os estudos clínicos ACT 1 e ACT 2, randomizados e controlados por placebo, comprovaram a eficácia e segurança de Remicade no tratamento da retocolite ulcerativa. Foram investigados 728 pacientes com retocolite ulcerativa moderada ou grave, que não responderam anteriormente ao tratamento convencional, à base de imunossupressores e corticóides.

Em ambos os estudos, mais de 65% dos pacientes atingiram melhora clínica expressiva na oitava semana de tratamento, após três aplicações de Remicade. Esta resposta é mantida por um longo prazo com as doses de manutenção. Além disso, 35% e 31% dos pacientes que participaram do estudo ACT 1 e ACT 2, respectivamente, alcançaram a remissão dos sintomas após oito semanas.
De modo geral, Remicade apresentou o dobro de resultados em resposta e remissão clínica, cicatrização da mucosa intestinal e redução do uso de corticóides em comparação com o placebo.

Impacto na qualidade de vida

Estima-se que mais de um milhão de pessoas tenham doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn e colite ulcerativa) na Europa e dois milhões nos Estados Unidos. Não há dados sobre a incidência desses problemas no Brasil.

Os tratamentos convencionais para as doenças inflamatórias intestinais, à base de corticóides, imunossupressores e derivados da sulfa, ajudam no alívio dos sintomas. Para os pacientes que não respondem a esses tratamentos, os medicamentos biológicos são novas armas que podem prolongar a remissão dos sintomas, reduzir a necessidade de internações e procedimentos.

As doenças inflamatórias intestinais estão associadas a uma piora da qualidade de vida dos pacientes, restringindo suas atividades sociais e profissionais. A tendência é que o paciente leve uma vida mais regrada, permaneça mais em casa, falte com maior freqüência ao trabalho ou até abandone sua atividade profissional. A piora dos rendimentos somada aos gastos com exames, internações e procedimentos geram um grande impacto financeiro para os portadores, principalmente nos casos em que a doença não está sendo acompanhada e tratada por um especialista (gastroenterologista ou coloproctologista).

Segundo dois estudos publicados recentemente, a utilização de Remicade na retocolite ulcerativa melhorou a qualidade de vida dos pacientes, elevou sua produtividade e proporcionou um aumento de quatro horas de trabalho na semana.

Mais informações sobre a colite ulcerativa e a doença de Crohn podem ser obtidas nos sites www.abcd.org.br e http://cvdii.bireme.br .

Sobre Remicade

Remicade é um medicamento biológico da classe dos anti-TNF indicado para o tratamento da artrite reumatóide, psoríase, artrite psoriásica, espondilite anquilosante, doença de Crohn e retocolite ulcerativa. Apesar de distintas, essas doenças têm em comum o fato de serem consideradas auto-imunes - quando o sistema imunológico tem seu papel invertido e começa a atacar o próprio organismo.

Remicade atua diretamente no bloqueio de uma substância chave no processo inflamatório, a citocina TNF-α (Fator de Necrose Tumoral). Líder da categoria, Remicade já foi usado por quase 700 mil pacientes no mundo, sendo o agente biológico com maior experiência mundial.

Os pacientes que utilizam Remicade recebem entre 6 e 8 aplicações endovenosas do medicamento anualmente, assistidas por um profissional de saúde. Esse tipo de tratamento, segundo pesquisa, é preferido pelos brasileiros em relação aos que exigem injeções subcutâneas quase toda semana - como é o caso de outros agentes biológicos ainda não aprovados no Brasil para o tratamento das doenças inflamatórias intestinais.

fontes: http://quemdividemultiplica.blogspot.com/2008/07/anvisa-aprova-o-primeiro-medicamento.html
http://cvdii.bireme.br/tiki-print_article.php?articleId=201