sábado, 29 de janeiro de 2011

Colite e Crohn: entenda a diferença

Os primeiros sintomas da doença de Crohn apareceram há 31 anos na professora Maria Adelaide Figueira. As fortes dores e diarréias eram freqüentes.

Mas o conhecimento da enfermidade era quase nulo. “Tudo começou na minha lua-de-mel, quando passei a viagem toda muito mal. Depois de casada procurei vários médicos e nenhum deles sabia dar o diagnóstico correto”, conta Maria.

Em 2000, um médico se interessou pelo caso da professora. “Após crises e mais crises, conheci um médico que estudava sobre Crohn. Fui operada e passei a tomar Pentasa - remédio específico contra a doença. Depois de muito sofrimento, a minha qualidade de vida melhorou 100%”, diz.

A Crohn é uma das mais sérias enfermidades inflamatórias gastrointestinais, como explica Flávio Steinwurz, presidente da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn: “Ela afeta predominantemente a parte inferior do intestino delgado ( íleo) e intestino grosso (cólon)”.

Normalmente, ela causa diarréia, cólica abdominal, febre e, às vezes, sangramento retal. “Também podem ocorrer perda de apetite e de peso subseqüente. Os sintomas podem variar de leve a grave, mas, em geral, as pessoas com doenças de Crohn podem ter vidas ativas e produtivas”, esclarece o médico.

Mas como a doença de Crohn é contraída? Não se sabe, porque ela é crônica. “A causa é desconhecida. Os medicamentos disponíveis atualmente reduzem a inflamação e controlam os sintomas, mas não curam. Como essa enfermidade se comporta como a colite ulcerativa (é difícil diferenciar uma da outra), ambas são agrupadas na categoria 'Doenças Inflamatórias Intestinais’ ou DII”, diz Steinwurz.

Segundo o médico, a colite ulcerativa afeta apenas a camada mais superficial (mucosa) do cólon de modo contínuo. Já na Crohn, todas as camadas estão envolvidas e pode haver segmentos de intestino saudável normal entre os do intestino doente.

Dependendo da região afetada, a doença de Crohn pode ser chamada de ileite, enterite regional ou colite. “Para reduzir a confusão, o termo pode ser usado para identificar a enfermidade, qualquer que seja a região do corpo afetada (íleo, cólon, reto, ânus, estômago, duodeno, etc). Ela é chamada de Crohn, porque Burril B. Crohn foi o primeiro nome de um artigo de três autores, publicado em 1932, que descreveu a doença e significou um marco”, explica o especialista.

Pesquisadores não verificam qualquer gen específico que possa “transmitir” essas doenças. Portanto, não são consideradas genéticas. “Mas nós sabemos que tem tendência a se apresentar com mais freqüência em membros de famílias em que já se registram casos dessas doenças”, garante o presidente da Associação.

Medicamentos

Os medicamentos mais utilizados no tratamento da Doença de Crohn e da Colite Ulcerativa são: sulfasalazina e os corticóides. “Ambos reduzem a inflamação. A sulfasalazina é usada para tratar sintomas leves e moderados de ambas doenças, e para tentar impedir a recidiva dos mesmos uma vez que se tenha obtido a remissão. Os corticóides são administradores quando os sintomas são mais severos: sua dose é diminuída lentamente até ser desnecessário”, esclarece Steinwurz.

Mas as medicações podem ter efeitos colaterais. “A sulfasalazina pode causar náuseas, dor de cabeça, vômitos, anemia, outras alterações do sangue e erupções da pele. O médico deve observar o paciente e vigiar quanto à aparição desses efeitos para então poder decidir pela continuidade ou não do medicamento”, diz o médico.

O corticóide, por sua vez, pode causar acne, inchaço no rosto, aumento do apetite, de peso e de pêlos no corpo. “Raramente ocorrem problemas ósseos, digestivos, diabete, hipertensão e mudança de personalidade. Esses efeitos secundários geralmente diminuem com a redução da dose e desaparecem quando não há continuação do medicamento”, afirma.

Cirurgia

A cirurgia é necessária na doença de Crohn quando o tratamento clínico é ineficiente no controle dos sintomas ou quando há complicações, como obstrução intestinal. “A cirurgia pode permitir ao paciente permanecer livre de sintomas, mas não objetiva a cura da doença”, explica Steinwurz.

Já na Colite Ulcerativa, a eliminação cirúrgica de todo o cólon e do reto (proctocolectomia) proporciona uma cura definitiva. “Na maioria dos casos deve-se realizar uma abertura oficial do íleo na parede abdominal (ileostomia), pela qual o excremento sai e é coletado em uma bolsa aderida à pele”, diz o médico.

Alimentação

A boa alimentação é essencial em qualquer doença crônica, mas especialmente nas que se observam redução de apetite, diarréia e às vezes má absorção de alimentos, fatores que prejudicam a assimilação de fluidos, nutrientes, vitaminas e minerais pelo corpo. “Apesar de a alimentação não ser a causa dessas doenças, é fato que as comidas suaves molestam menos que as comidas condimentadas ou ricas em fibras. Isso quando a doença está na fase ativa”, afirma o especialista.

TRATAMENTO DA RETOCOLITE ULCERATIVA INESPECÍFICA EM CRIANÇA COM ENEMAS CONTENDO BUTIRATO.

Relato de caso

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0004-28031999000400012&script=sci_arttext

PREDNISONA E CORTICÓIDES | Indicações e efeitos colaterais l

Esse texto vai tratar das indicações e efeitos colaterais de todos os corticóides com especial ênfase a prednisona, a droga mais usada da classe.

A prednisona é um glicocorticóide sintético, similar ao hormônio cortisol produzido em nossas glândulas supra-renais (leia: ENTENDA A GLÂNDULA SUPRA-RENAL).

Os glicocorticóides (glicose + cortex + esteróides) são hormônios esteróides (não-anabolizantes e não-sexuais) produzidos pelo córtex da glândula supra-renal.

O hormônio produzido naturalmente pelo nosso organismo é o cortisol. Níveis normais são essenciais para a saúde. O cortisol tem ação no metabolismo da glicose, nas funções metabólicas do organismo, na cicatrização, no sistema imune, na função cardíaca, no controle do crescimento e em muitas outras ações básicas do nosso corpo.

O cortisol é um hormônio de estresse. Ele recebe esse nome pois sua produção é aumentada toda vez que nosso organismo encontra-se sob estresse físico. Podemos citar como exemplos, traumatismos, infecções e cirurgias. O cortisol aumenta a disponibilidade de glicose e energia, eleva a pressão arterial e prepara o organismo para sofrer e combater insultos.

Existem várias formulações sintéticas de corticóides, as mais usadas na prática médica são a prednisona, prednisolona, hidrocortisona, dexametasona, metilprednisolona e beclometasona (via inalatória).

Os corticóides sintéticos são mais potentes que o cortisol natural, exceto pela hidrocortisona que apresenta potência semelhante.

Potência em relação ao cortisol :

  • Hidrocortisona = Potência semelhante ao cortisol
  • Deflazacort = 3x mais potente que o cortisol
  • Prednisolona = 4-5x mais potente que o cortisol
  • Prednisona = 4-5x mais potente que o cortisol
  • Triamcinolona = 5x mais potente que o cortisol
  • Metilprednisolona = 5-7.5x mais potente que o cortisol
  • Betametasona = 25-30x mais potente que o cortisol
  • Dexametasona = 25-30x mais potente que o cortisol
  • Beclometasona = 8 pufs 4x por dia equivale a 14 mg de prednisona oral diária
Isso significa, por exemplo, que 60 mg de prednisona apresenta o mesmo efeito que 300mg do cortisol natural. Devido a essa potência maior dos corticóides sintéticos, conseguimos administrar doses supra-fisiológicas dos mesmos, essenciais no tratamento de algumas doenças.

Indicações da prednisona e corticóides

A prednisona e os corticóides em geral são drogas que conseguem modular processos inflamatórios e imunes do nosso organismo, tornando-se extremamente úteis em uma infinidade de doenças.

Qualquer doença de origem alérgica, inflamatória ou auto-imune (leia: DOENÇA AUTO-IMUNE), pode ser tratada com algum desses corticóides.

Só para se ter uma idéia da importância dos corticóides na prática médica, podemos citar como indicação para a sua administração as seguintes doenças:
As doses diárias equivalentes a 5-10mg de prednisona são chamadas de doses fisiológicas por serem compatíveis com a produção diária natural de cortisol. Nestas doses, os corticóides sintéticos apresentam apenas efeito anti-inflamatório.

Em situações normais a secreção de cortisol pela supra-renal apresenta um ciclo circadiano, ou seja, sofre alterações de acordo com o período do dia. Durante as primeiras horas da manhã a sua secreção está muito elevada, reduzindo-se ao máximo por volta das 23h. Por isso, optamos por administrar os corticóides durante a manhã para tentar simular a secreção fisiológica que o organismo está habituado e diminuir os efeitos colaterais.

Conforme a dose vai sendo elevada, a prednisona, ou qualquer outro corticóide, começa a apresentar efeitos imunossupressores, o que justifica os seu uso nas doenças auto-imunes e no transplante de órgãos.

Em doenças auto-imunes e glomerulonefrites podemos usar até 80mg de prednisona por dia. Em casos graves lançamos mão de um procedimento chamado pulsoterapia que consiste na administração venosa de até 1000mg de metilprednisolona por 3 dias seguidos. Essa pulsoterapia pode ser usada em vasculites graves, em casos de rejeição de órgãos transplantados e no tratamento de doenças auto-imunes descompensadas como o Lúpus, por exemplo.

Os corticóides podem ser administrados por várias vias. Corticóides sistêmicos são aqueles tomados por via oral ou via intravenosa. Na asma é muito comum a administração do corticóide inalatório. Na rinite e sinusite a via é a intra-nasal (leia: SINUSITE / RINOSSINUSITE). Nas doenças de pele, o corticóide é tópico, ou seja, em cremes ou pomadas. Pode haver corticóides em colírios e em soluções para administração nos ouvidos. Nas artrites a via pode ser diretamente intra-articular (infiltração).

Efeitos colaterais da prednisona e dos corticóides em geral

Ao mesmo tempo que são drogas extremamente úteis em uma variedade de doenças graves, os corticóides apresentam, principalmente se usados a longo prazo, uma lista imensa de efeitos colaterais indesejáveis, que variam desde problemas estéticos até infecções graves por imunossupressão.

Os efeitos colaterais estão intimamente relacionados a dose e ao tempo de uso. Em muitos casos os efeitos adversos são menos graves do que as doenças que se pretende tratar. O uso esporádico e por pouco tempo não é capaz de levar ao efeitos descritos a seguir.

a) Efeitos colaterais dos corticóides na pele

Os efeitos estéticos são os que mais incomodam os pacientes, principalmente as mulheres.

Entre os mais comuns podemos citar a equimose e a púrpura associadas ao corticóide. São pequenas hemorragias que ocorrem embaixo da pele, normalmente em áreas expostas ao sol, como mãos e antebraços.



Púrpura pelo corticóide

Estrias de cor arroxeada e localizadas na região abdominal, calvície (leia: CALVÍCIE E TRATAMENTO PARA QUEDA DE CABELO ), crescimento de pêlos em mulheres e acne (leia: ACNE - CRAVOS E ESPINHAS) também ocorrem com frequências em usuários crônicos de corticóides.



Estrias pelo corticóide

Um sinal típico da toxicidade pelos corticóide é o desenvolvimento da aparência cushingóide que se caracteriza por um face arredondada (chamada de fácies em lua), pelo acúmulo de gordura na região posterior do pescoço e das costas (chamado de corcova ou giba de búfalo) e pela distribuição irregular da gordura corporal, com predomínio na região abdominal e tronco.

Fácies em lua


Corcova ou giba de búfalo

b) Efeitos colaterais dos corticóides nos olhos

O uso contínuo de corticóides sistêmicos, normalmente por mais de 1 ano com doses maiores que o equivalente a 10mg de prednisona pode levar a alterações oftalmológicas como a catarata e glaucoma (leia: GLAUCOMA Sintomas e tratamento). Tanto os corticóides usados por via oral, usados por via nasal (spray nasal para asma ou bronquite) ou como forma de colírios podem causar ambas doenças.

Se quiser saber mais sobre corticóides e olho, leia o blog Oftalmologia e Saúde Ocular: Corticóides - Efeitos Colaterais nos olhos

c) Efeitos colaterais metabólicos dos corticóides

Além do ganho de gordura já descrito anteriormente, a corticoterapia crônica também leva a alterações do metabolismo da glicose, podendo inclusive induzir ao Diabetes Mellitus (leia: DIAGNÓSTICO E SINTOMAS DO DIABETES MELLITUS) e a elevação dos níveis de colesterol (leia: COLESTEROL BOM (HDL) E COLESTEROL RUIM (LDL)).

d) Efeitos colaterais cardiovasculares dos corticóides

A incidência de várias doenças cardiovasculares costuma aumentar com o uso prolongado de corticóides. Podemos citar o aumento da ocorrência de hipertensão (leia. SINTOMAS E TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO), infartos do miocárdio (leia: SINTOMAS DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO E ANGINA), insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - CAUSAS E SINTOMAS) e AVC (leia: ENTENDA O AVC - ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL).

e) Efeitos colaterais músculo-esqueléticos dos corticóides

A corticoterapia prolongada é responsável por aumento da incidência de osteoporose (leia: SINTOMAS E TRATAMENTO DA OSTEOPOROSE), necrose óssea, lesões musculares (miopatia), fraturas ósseas e distúrbios do crescimento quando usado em crianças.

f) Efeitos colaterais dos corticóides no sistema nervoso central

O uso de corticóides em um primeiro momento pode causar uma sensação de bem-estar e euforia. Porém, a longo prazo está associado a uma maior incidência de quadros psiquiátricos como psicose e depressão, além de insônia e alterações da memória.

g) Efeitos colaterais imunológicos dos corticóides

A imunossupressão causada pela corticoterapia é um efeito desejável nos casos das doenças auto-imunes, mas pode também ser um grande problema por facilitar a ocorrência de infecções. É preciso saber balancear bem os risco com os benefícios.

O risco de infecção ocorre naqueles que tomam o equivalente a 10mg/dia ou mais de prednisona por vários dias, sendo muito elevado em doses acima de 40mg por dia. O risco de infecção torna-se significativo a partir de uma dose acumulada de 700mg de prednisona ou equivalente.

Além de facilitar infecções, os corticóides também inibem o surgimento da febre, dificultando o reconhecimento de um processo infeccioso em curso (leia: O QUE SIGNIFICA E POR QUE TEMOS FEBRE ?).

Doentes submetidos a altas doses de corticóides devem evitar tomar vacinas compostas por vírus vivos sob o risco de desenvolver infecções vacinais. Vacinas com vírus mortos podem ser administradas, porém, a corticoterapia também pode impedir a formação de anti-corpos fazendo com que a vacina apresente pouca eficácia. Muitas vezes são necessárias doses maiores para um eficaz imunização.

h) Efeitos colaterais dos corticóides inalatórios

Os corticóides inalatórios usados principalmente na asma apresentam pouca absorção sistêmica, por isso, apresentam menos efeitos colaterais. Os efeitos colaterais sistêmicos costumam ocorrer somente após vários anos de uso.

Os efeitos adversos mais comuns são locais e devido a precipitação do corticóide na cavidade oral. Entre eles podemos citar a rouquidão e a candidíase oral (leia: O QUE É A CANDIDÍASE ?)

i) Outros efeitos colaterais dos corticóides

Retenção de líquidos, alterações menstruais, gastrite e úlcera péptica (leia: GASTRITE E ÚLCERA GÁSTRICA), esteatose hepática (leia: O QUE É ESTEATOSE HEPÁTICA?), pancreatite (leia: PANCREATITE CRÔNICA E PANCREATITE AGUDA) e infertilidade.

Efeitos colaterais dos corticóides



Cuidados e perigos do uso de corticóides

A corticoterapia prolongada requer alguns cuidados, principalmente na hora de de suspender a droga.

O uso de prednisona ou similares por muito tempo, inibe a produção natural de cortisol pela supra-renal. Como os corticóides sintéticos têm uma meia-vida de algumas horas apenas, a suspensão abrupta faz com que após 2 ou 3 dias os níveis de cortisol fiquem próximo de zero. Quando a supra-renal fica muito tempo inibida pelo administração de corticóides exógenos, ela demora até voltar a produzir o cortisol natural. Em geral, tratamentos que duram menos de 3 semanas, não costumam causar grandes efeitos colaterais, nem causam inibição prolongada das supra-renais.

Como o cortisol é um hormônio essencial para a vida, o paciente que suspende o corticóide abruptamente entra em um estado chamado de insuficiência supre-renal, podendo evoluir para choque circulatório (leia: CHOQUE CIRCULATÓRIO. O QUE É ISTO ?), coma e óbito se não for rapidamente atendido.

Por isso, a retirada dos corticóides após uso prolongado deve ser sempre feita de modo lento e gradual. Nunca se deve suspender o tratamento sem conhecimento médico.

Anvisa aprova o primeiro medicamento biológico para retocolite ulcerativa

Remicade (infliximabe) é uma nova arma para pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou em outubro a indicação de Remicade (infliximabe) para o tratamento da retocolite ulcerativa, doença inflamatória intestinal (DII) que tem como principais sintomas cólicas, perda de peso e diarréias com sangramento. Remicade é o primeiro agente biológico aprovado para essa doença no Brasil. A droga também é a única que tem aprovação da Anvisa para Doença de Crohn, outro tipo de doença inflamatória intestinal.

"Remicade é uma poderosa alternativa para os casos graves da doença ou que não respondem aos tratamentos convencionais", afirma Flávio Steinwurz, gastroenterologista e presidente da ABCD (Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn).

Como a doença é crônica e não tem cura, o principal objetivo do tratamento é induzir a remissão, isto é, a ausência total de sintomas e mantê-la por um longo prazo. "Remicade é capaz de prolongar a remissão, ajudando na cicatrização da mucosa intestinal. Essa melhora, em alguns casos, pode evitar a necessidade de cirurgia para retirada de uma parte do intestino", diz Steinwurz. Além disso, Remicade possibilita a redução do uso de corticóides, um dos tratamentos mais comuns, que causam sérios efeitos colaterais quando utilizados por um longo período.

Os estudos clínicos ACT 1 e ACT 2, randomizados e controlados por placebo, comprovaram a eficácia e segurança de Remicade no tratamento da retocolite ulcerativa. Foram investigados 728 pacientes com retocolite ulcerativa moderada ou grave, que não responderam anteriormente ao tratamento convencional, à base de imunossupressores e corticóides.

Em ambos os estudos, mais de 65% dos pacientes atingiram melhora clínica expressiva na oitava semana de tratamento, após três aplicações de Remicade. Esta resposta é mantida por um longo prazo com as doses de manutenção. Além disso, 35% e 31% dos pacientes que participaram do estudo ACT 1 e ACT 2, respectivamente, alcançaram a remissão dos sintomas após oito semanas.
De modo geral, Remicade apresentou o dobro de resultados em resposta e remissão clínica, cicatrização da mucosa intestinal e redução do uso de corticóides em comparação com o placebo.

Impacto na qualidade de vida

Estima-se que mais de um milhão de pessoas tenham doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn e colite ulcerativa) na Europa e dois milhões nos Estados Unidos. Não há dados sobre a incidência desses problemas no Brasil.

Os tratamentos convencionais para as doenças inflamatórias intestinais, à base de corticóides, imunossupressores e derivados da sulfa, ajudam no alívio dos sintomas. Para os pacientes que não respondem a esses tratamentos, os medicamentos biológicos são novas armas que podem prolongar a remissão dos sintomas, reduzir a necessidade de internações e procedimentos.

As doenças inflamatórias intestinais estão associadas a uma piora da qualidade de vida dos pacientes, restringindo suas atividades sociais e profissionais. A tendência é que o paciente leve uma vida mais regrada, permaneça mais em casa, falte com maior freqüência ao trabalho ou até abandone sua atividade profissional. A piora dos rendimentos somada aos gastos com exames, internações e procedimentos geram um grande impacto financeiro para os portadores, principalmente nos casos em que a doença não está sendo acompanhada e tratada por um especialista (gastroenterologista ou coloproctologista).

Segundo dois estudos publicados recentemente, a utilização de Remicade na retocolite ulcerativa melhorou a qualidade de vida dos pacientes, elevou sua produtividade e proporcionou um aumento de quatro horas de trabalho na semana.

Mais informações sobre a colite ulcerativa e a doença de Crohn podem ser obtidas nos sites www.abcd.org.br e http://cvdii.bireme.br .

Sobre Remicade

Remicade é um medicamento biológico da classe dos anti-TNF indicado para o tratamento da artrite reumatóide, psoríase, artrite psoriásica, espondilite anquilosante, doença de Crohn e retocolite ulcerativa. Apesar de distintas, essas doenças têm em comum o fato de serem consideradas auto-imunes - quando o sistema imunológico tem seu papel invertido e começa a atacar o próprio organismo.

Remicade atua diretamente no bloqueio de uma substância chave no processo inflamatório, a citocina TNF-α (Fator de Necrose Tumoral). Líder da categoria, Remicade já foi usado por quase 700 mil pacientes no mundo, sendo o agente biológico com maior experiência mundial.

Os pacientes que utilizam Remicade recebem entre 6 e 8 aplicações endovenosas do medicamento anualmente, assistidas por um profissional de saúde. Esse tipo de tratamento, segundo pesquisa, é preferido pelos brasileiros em relação aos que exigem injeções subcutâneas quase toda semana - como é o caso de outros agentes biológicos ainda não aprovados no Brasil para o tratamento das doenças inflamatórias intestinais.

fontes: http://quemdividemultiplica.blogspot.com/2008/07/anvisa-aprova-o-primeiro-medicamento.html
http://cvdii.bireme.br/tiki-print_article.php?articleId=201